quarta-feira, 29 de abril de 2009

E como para ele, eu dediquei a mim mesma, momentos de intimidade.



Foi uma fuga alucinante. Senti seus olhos em mim quando, apenas o que me cobria era uma toalha cor-de-rosa toda desfiada. E da mesma forma que outrora me vestiria, o fiz rapidamente, observando pelo espelho aquele olhar quente malicioso a me querer. A vontade foi de me despir da toalha e usar a lingerie preta que comprei semana passada. Vi o respingar do meu cabelo molhado embaçar a face do espelho, e me detive ali, parada, pela cobiça do meu corpo àquele mirar farto de sexualidade e desejo que entre um espaço e outro ficava mais nítido. Parei, e tentei sentir o arrepio do toque da língua na minha pele morna, ainda do banho. Um frio dorsal misteriosamente me fez estremecer as pernas. Eu deslizei e caí sobre a cama, afundando pesadamente, como quem mergulha num mar calmo. Segundos depois, estava de novamente de pé, precisava trabalhar. Vesti-me e saí correndo, com medo que o espelho viesse me devorar.

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